sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Bem-vindo a N.H.K! ou Welcome to the NHK! - Volume 01


Drogas, pedofilia, depressão, insanidade, isolamento e...eu já disse drogas? Vou dizer de novo (:b); DORGAS, DORGAS, DORGAS manolo. Estou falando de NHK ni Youkoso! (mais conhecido como Welcome to the NHK!), novo lançamento da Panini. Este mangá é baseado nas light novel's de Takimoto Tatsuhiko, que conta o dia a dia de um Hikikomori, mas não de uma forma dramática, mas de uma maneira bem divertida (para nós). Um Hikikomori já é um termo bastante conhecido aqui no Brasil e que também já assola algumas pessoas daqui (eu inclusive tenho um amigo que é). O termo Hikikomori se refere á pessoas que se sentem alienadas da sociedade e acabam ficando presas em suas casas (ou melhor dizendo, seus quartos), sem sair por um longo tempo. O mais interessante desse mangá (ao meu ver), é que o autor não fica preso á um tema só e acaba abordando outros assuntos que, de uma forma ou de outra, estão interligados, complexo de lolicon, cotidiano otaku, vicio de jogos on-line, suicídio e conspirações são alguns dos temas abordados.




Por uma fatalidade do destino, descobri a existência de uma organização maligna chamada "N.H.K". descobri que larguei a universidade, estou desempregado e me tornei o vagabundo que sou devido a esta grande conspiração! Por isso, decidi lutar até revelar toda a verdade ao mundo! Um dia percebi que um grupo radical estava tentando me matar! Enviaram uma perigosa assassina disfarçada como a bela Misaki-chan, com sua inocente sombrinha. Quem é ela? O que pode salvar o nosso futuro contaminado de violência, erotismo e drogas? O amor, a coragem e a amizade? Este é o mangá de ação ininterrupta definitivo sobre os "hikikomoris" !(os atuais jovens inúteis como eu...).


Desde o anuncio do lançamento de Welcome to the NHK!, eu guardei grandes expectativas sobre este mangá, ele é sempre muito lembrado por falar sobre o cotidiano dos otakus (assim como Genshiken) e sempre provocou um burburinho muito forte em foruns de discussões. Para a minha felicidade, não me decepcionei, a trama faz jus ao nome conhecido e ótimas criticas que tem recebido. Embora o primeiro volume tenha se pautado a introdução e apresentação de alguns personagens, a trama conseguiu se manter ágil e competente em sua narrativa.


A história tem inicio com o protagonista, Tatsuhiro Sato (um jovem de 22 anos, desempregado que desistiu da universidade e que está exatamente a 4 anos sem sair de casa @.@), decidindo por um fim a sua inércia vida de hikikomori, foi hilário acompanha-lo em seu dilema de voltar a sociedade, enquanto ele tentava se concentrar em seu apartamento, um vizinho escutava um musica de anime na maior altura, fato que me fez imaginar como seria eu fazendo isso com meus vizinhos (huhuhu). Pois bem, como se não bastasse o vizinho chato, depois de um longo tempo sem se comunicar com ninguém do lado de fora, aparece logo uma senhora com cara de religiosa, lhe oferecendo um livro. Sato pira completamente, ele não quer ser evangelizado e
quando está prestes a dispensar a senhora, percebe que uma linda garota estava lhe acompanhando. É então que acontece umas das coisas mais interessantes do mangá, que são as viagens alucinógenas de Sato, que começa a imaginar a jovem em situações embaraçosas (e é o tipo de situações que estamos acostumados a ver em Elfen Lied, que beira ao hentai - ou talvez eu esteja exagerando!? - ), logo ele também percebe que o livro na mão da senhora, não era nada do tipo religioso, e sim um exemplar de revista falando sobre o "fenômeno" hikikomori. E ai que vemos como uma pessoa que esta doente ou viciada em algo, nega veementemente esse fato. Sato arruma as mais diversas desculpas e nega o fato de ser hikikomori, e o vemos fazer isso em muitos momentos do mangá, seja por vergonha de sua situação ou por receio de ser apontado pelas pessoas.


A jovem que provocou delírios proibidos em Sato, se chama Misaki. Durante o mangá, os dois acabam se encontrando em situações inusitadas e porque não dizer, constrangedoras (para o Sato, claro). Depois de fazer uso de uma droga (creio eu, que era cocaína) e por conseqüência, começa a viajar na maionese, assim, vários objetos de seu apartamento começam a ganhar vida e a conversar com ele (@.@ isso me lembrou "A bela e a fera"), além desses objetos lhe darem conselhos, também dizem lhe sobre uma infundada teoria da conspiração, onde uma emissora de tv japonesa, a N.H.K, estaria manipulando a população através de sua programação. Através de inúmeros animes, essa emissora insere um tal "espírito otaku" nas pessoas, tornando as inaptas ao convívio social, dando assim, origem aos hikikomoris (é muita viagem, mas fica fácil se nos adaptarmos, tirando a NHK e colocando a Globo no lugar. O quê? Vai dizer que a Globo não tenta fazer lavagem cerebral nas pessoas?).


Decidido a mudar de vida, Sato, enfim sai de casa, colocando seus pés pela primeira vez em quatro anos, na rua. E logo começa o festival de encontros desafortunados que ele tem coma Misaki. Creio que muitos, irão se identificar em cheio com esse tipo de situação. Em sua primeira tentativa de ser uma pessoa "normal, ele vai procurar um emprego e no local, da de cara com Misake, que trabalhava justamente ali, ele fica completamente sem reação e começa a falar um monte de coisa sem sentido (hahaha, já aconteceu de alguns garotos que gostavam de mim, ficarem completamente sem reação na minha frente e começarem a falar um monte de coisas sem noção), para logo em seguida sair correndo. Ele que já estava depressivo e se sentindo um derrotado, quando chega em seu apartamento e seu vizinho esta novamente escutando anisongs no volume máximo. Ele resolve tomar uma atitude e arromba a porta do sujeitinho. E para sua surpresa (e a nossa também), o vizinho nada mais é que um antigo colega de escola, Yamazaki, um otaku hardcore, viciado em eroges, figures e que tem complexo de lolicon.


Yamazaki é o terceiro personagem a ser apresentado e o responsável por trazer a tona um lado "sombrio" de Sato. E é com Yamazaki que temos as situações mais inusitadas e loucas do mangá, de pura dorgas. Tudo tem inicio com o fato de Sato, não conseguir confessar para Misaki, que é hikakomori, e assim tendo de inventar mais desculpas, como por exemplo, ser um desenvolvedor de software. E para manter a mentira, Yamazaki lhe da a idéia de começarem a trabalhar em um eroge e Sato começa a ter contato com o mundo pornográfico, onde as pequenas lolis (garotinhas, na faixa de 7 a 13 anos) aparecem nuas, em varios tipo de situação. E como se já não fosse o bastante, ele começa a expiar garotinhas reais, chegando ao cumulo de
arrastar Yamazaki para a porta de uma escola, onde por trás de uma moita, ele poderia ficar espiando as meninas em saias curtinhas e shorts apertados. Você deve estar pensando ai, mais que p**** é essa? Licenciaram um mangá de pedofilia? Bem, a linha narrativa de Welcome to the NHK! não é bem por ai, e é uma situação que esta sendo trabalhada em prol da história, sendo muito mais pelo lado da crítica, do que para mostrar crianças em situações delicadas. Já no fundo do poço, é quase que impossível não rir das caras e bocas feitas pelo personagem. Oiwa Kenji conseguiu fazer um traço, abusando bastante do SD (Super deformed), mas que casou perfeitamente pelo tipo de situação que o personagem estava vivenciando. Mas, voltando a trama, completamente envergonhado pela atitude do amigo, Yamazaki sai correndo e Misaki aparece mais uma vez e presencia Sato naquela situação, ele poderia até continuar negando o fato de ser hikikomori, mas poderia negar o fato de ter se transformado em um lolicon?




Temos então a apresentação de mais uma personagem, uma garota misteriosa que foi senpai de Sato, quatro anos atrás. Ela que também faz uso de drogas, remédio proibidos (os conhecidos tarja-preta). É impressionante como todos personagens desse mangá, tem algum tipo de problema ou complexo. A trama segue com Sato, enfim dando o braço a torcer e tomando aulas com Mizaki, que pretende faze-lo deixar de ser um hikikomori. E pode ser que realmente esteja funcionando, pois Sato acaba se metendo em todo tipo de confusões e situações. Ele que é bem criativo, mas que não se da conta disso, começa a dar mostras de sua criatividade, mesmo que seja através de delírios insanos, que conseqüentemente despertarão risos em quem lê. A história também tem seu "quê" de profundidade, seja através dessa estranha relação de Misaki e Sato (ela que parece ter sentido algum tipo de atração por ele, como também nos deixa com um gostinho de quero mais, pois é perceptível que ela tem muito mais a mostrar, do que realmente aparenta) ou de
flashbacks do passado dele, que mostra-o contando diversas mentiras para sua mãe quando era criança. O mangá termina com um gancho sensacional para o próximo volume, onde a mãe de Sato quer lhe fazer uma visitinha e ter uma conversa séria sobre o futuro do rapaz. Pressionado, ele acaba mentindo que arrumou um emprego e que tem uma namorada (tudo isso para não ser arrastado de volta, para a cidade de seus pais). Ele agora conta com a ajuda de Misaki, que aceitou ser sua namorada pelo período em que sua mãe estivesse presente. A aparição dessa personagem, pode fazer com que as coisas fiquem mais loucas do que já estão. E agora, com Sato e Yamazaki completamente amarrados ás personagens lolis virtuais (eles estão trabalhando seriamente em um eroge @.@) e Mizaki que aparenta ter mais intenções do que, apenas fazer com que Sato deixe de ser hikikomori, são ingredientes mais que suficientes para que eu queira ter em mãos o mais rápido possível o próximo volume.


Tecnicamente, a Panini fez um belo trabalho, claro que daquele jeito que quem já está acostumado a comprar mangás licenciados aqui no Brasil conhecem. A periodicidade é bimestral, o que pra Panini não quer dizer nada (:P), formato 13 x 18 cm, com uma média de 192 páginas. Como já era de se esperar, o mangá veio sem suas paginas coloridas (não que faça tanta falta assim). Manteve na contra-capa uma pequena foto de um quarto hikikomori e mais alguns extras, como mensagens do autor e roteirista. No original continha logo no inicio duas fotos coloridas enormes e mais um extra colorido, que a Panini inverteu e publicou no finalzinho  do mangá, na capa mesmo. A foto do quarto todo bagunçado, saiu apenas uma, como eu disse antes, na contra-capa. O mangá contém 8 edições, já finalizadas e é roteirizado por Tatsuhiko Takimoto e desenhado por Kendi Oiwa, ele que alias fez um belíssimo trabalho, com um traço firme e muito bonito, fez ótimos cenários nos quadros, sem causar muita poluição visual. Ah sim, não poderia deixar de dizer que o pessoal que trabalhou na edição do mangá fez também um belíssimo trabalho de edição, e o glossário está completo e com todos os termos mais complicados lá, e a tradução da Drik Sada ficou perfeita, vi gente reclamando, que a cada meia dúzia de palavras o Sato soltava um "porra", como para dar motivos para deixar censura 18 anos, fiquei meio assustada mas depois que li, respirei aliviada pois não é bem assim. Tradução e adaptação ficaram excelentes e mangá tinha mesmo que ser censura 18 anos, o contéudo é claramente adulto, tratando de temas espinhosos, como drogas e pedofilia, além de suicídio.

Impressões finais

Um ótimo mangá, para quem curte histórias com um tom mais adulto. Como já disse, o desenvolvimento é ágil e a leitura não cansa em nenhum instante. Adorei a forma como estão tratando de assuntos polêmico, com um ar de comédia, para que a trama não fique por demais pesada, mas esse não é um mangá que você vai ler procurando rir a todo instante e se divertir. Eu digo que isso está tudo lá, você vai rir e se divertir, mas existe uma mensagem a ser passada e a história não parece, que vai se sustentar somente em situações triviais pra alavancar risos em que lê. Existe todo um drama, vivenciado pelo personagem, e ao contrário do que se pode pensar em um primeiro instante, o mangá não faz apologia a nada, pelo contrário. Como bem disse Tatsuhiko, é um grande drama épico, que trata da juventude e do fenômeno social Hikikomori. Se você tem senso critico, uma pessoa de mente aberta e que tem uma forte quedinha para o humor negro, o que está esperando pra passar na banca mais próximo e pegar Welcome to the NHK?



BEM-VINDO A NHK!
Nome alternativoNHK ni Youkoso!
Lançado em 2005
StatusConcluída
Autor Takimoto Tatsuhiko
ArtistaOoiwa Kenji
Gênero Comédia , Drama Psicológico , Romance , Shounen

16 comentários :

Jhon Almeida disse...

Eu li e ouvi falarem muito bem desse mangá, e pensei em comprar ele nessa semana que se passou, mas acabei comprando só o volume 8 de Elfen (carteira vazia detected), mas semana que vem ele tá na mão. o/

julio pq disse...

decidi que vou comprar, parece bem promissor. Roberta, você lê Honey and Clover?

Roberta Caroline disse...

Eu leio sim Júlio, comecei faz pouco tempo inclusive a colecionar. Não sei quem, mas alguém me comentou sobre ele. Porque?

Claúdio Paiva Grunndeberg disse...

veio, muito louco esse mangá, vou correndo comprar o meu. Muito legal seu post, mas você poderia não ter revelado o final ein? Mas gostei da resenha resumo, me deixou empolgado

Moka-chan disse...

eu adoro a Misaki s2

Ay disse...

já estou com o meu aqui eheheh

Roberta Caroline disse...

Verdade Cláudio, gomen. ^_^

Wellington disse...

eu ja tive esse manga em mãos eh lgl msm.recomendo

Maik disse...

Quando sair o Volume 02 vc vai fazer outro post comentando Roberta ???

Roberta Caroline disse...

Oi Maik. Então...na verdade eu não sei. Mas sabendo que há ao menos ao interessado, é um estimulo. ;)

Kauê disse...

Essa história foi uma das que me tragou de volta para o universo dos animes. Gostei bastante do anime, apesar de achá-lo inverossímil em alguns pontos, ele diverte tocando em assuntos espinhosos e urgentes.

Fazia anos que não me sentia mal quando uma série chegava ao fim, e fiquei meio estranho quando assisti o último ep. dele. Mergulhei bem na história.

Não sabia que o mangá tinha essa pegada mais hard. No anime não há nada nem próximo da alucinação do Sato masturbando a menina ou cheirando uma carreira de cocaína. Talvez no mangá a coisa fique mais verossímil, vou correr atrás da primeira edição.

Kauê disse...

Essa história foi uma das que me tragou de volta para o universo dos animes. Gostei bastante do anime, apesar de achá-lo inverossímil em alguns pontos, ele diverte tocando em assuntos espinhosos e urgentes.

Fazia anos que não me sentia mal quando uma série chegava ao fim, e fiquei meio estranho quando assisti o último ep. dele. Mergulhei bem na história.

Não sabia que o mangá tinha essa pegada mais hard. No anime não há nada nem próximo da alucinação do Sato masturbando a menina ou cheirando uma carreira de cocaína. Talvez no mangá a coisa fique mais verossímil, vou correr atrás da primeira edição.

Claúdio Paiva Grunndeberg disse...

veio, muito louco esse mangá, vou correndo comprar o meu. Muito legal seu post, mas você poderia não ter revelado o final ein? Mas gostei da resenha resumo, me deixou empolgado

Anônimo disse...

o anime é fiel ao manga?

Roberta Caroline disse...

@Anônimo
De certa forma, sim. Fiel e bem adaptado :)

Anônimo disse...

Obrigado, roberta. Comecei a ver o anime agora mesmo, é bem interessante mesmo ^^'
Depois pretendo procurar pelo manga \õ/
Desculpe por nao ler o post inteiro, disseram ai q tem spoil do final, mas este blog, sempre com otimos textos '-'
Enfim, é isso. Até a proxima, valeww

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