segunda-feira, 23 de maio de 2011

Kokuhaku (Confessions): Instigante do inicio ao fim

Depois de assistir ao filme “Confessions” (Kokuhaku) e ter dado aquela pausa para reorganizar os pensamentos e deixar aquela histeria inicial ir embora, fica-se com a impressão de que a formula usada para desenvolver o enredo não é nova. Realmente não é, mas se bem dirigido pode aproximar ainda mais o expectador da história e seus personagens. Filmes como Crash – no limite – reforçam bem esse estilo, onde o fato de que determinado personagem está, em determinado lugar, interfere na vida de todas as outras personagens. Continuando com a comparação, posso citar também “Magnolia”, “Babel”, que são filmes no estilo “Efeito Borboleta”, que se constroem a partir da idéia de que o que ocorre a qualquer ser humano afeta a humanidade inteira. Filmes assim tem todo o enredo construído a partir dos seus momentos de clímax e tudo mais o que vem a seguir caminha nessa direção. Nesse aspecto, o diretor Tetsuya Nakashima (Kamikaze Girls, Memórias de Matsuko) conseguiu brilhar ao produzir uma excelente adaptação e tal qual foi “O Iluminado” de Stanley Kubrick, conseguiu passar sua crítica social ao confrontar o espectador e criticar um sistema que costuma ser inoperante com os delinqüentes juvenis – e que cai como uma luva para tudo que acontece aqui no Brasil envolvendo crimes cometidos por jovens menores de 18 anos, que sempre saem impunes -.

Entendendo a história


Yuko Moriguchi (Takako Matsu) é uma professora que começa o filme anunciando sua demissão perante todos os alunos em um monologo muito excitante, mas que poderia cair num tédio infernal se não fosse pela qualidade do roteiro, que é capaz de segurar o clima de suspense crescente durante todos os 30 minutos iniciais do filme. O que de certa forma foi bem ousado e perigoso, se levarmos em conta que nos minutos iniciais não acontece praticamente nada. Isso até o momento em que ela revela que sua filha, Manami, foi morta por dois alunos de sua turma, a quem ela denomina como A e B. Para puni-los, ela lhes revela que injetou o vírus HIV - que coletou a partir do sangue de seu marido contaminado – na caixinha do leite que os assassinos tomaram. Inevitavelmente, os culpados aparecem depois do choque que a revelação da professora causa em todos.


A partir desse ponto, o que vemos é a conseqüência de todos os fatos revelados nos primeiros 30 minutos e a história vai envolvendo cada vez mais personagens nessa elaborada trama de suspense/drama psicológico. Todos os eventos do filme se apresentam em forma de fragmentos, que só é possível entender completamente depois que tudo se junta. Fragmentos estes que nos são apresentados pela perspectiva de cada personagem que esteve envolvido diretamente no incidente que culminou na morte de Manami. No caso, os assassinos que são A e B e conseqüentemente todos os personagens  mais próximos dos envolvidos.


A narrativa do filme é toda em primeira pessoa, o que nos deixa bem mais próximos dos personagens e seus dramas. O filme aborda ainda o problema de bullying e a delinqüência juvenil tão presentes nessa faixa etária. A dificuldade do sistema – e dos pais – em lidar com adolescentes problemáticos, que se fecham em seu próprio mundo, onde podem ter ou ser aquilo que bem entenderem com a tecnologia ao clique e a pornografia que lhes entretém. A depressão é algo bem tratado no filme e da forma mais crível possível - assim como sua inerente conseguência que é o suicídio - através dos personagens. Estes que são capazes de fazer de tudo para chamar a atenção de quem lhes interessam, para fugir do tédio ou para mostrar-se superior aos outros e claro, eles sabem muito bem que são protegidos pela lei e mesmo o assassinato de um garotinha de 4 anos já não lhes provoca mais receios. É preciso haver um limite, que deve ser passado principalmente pelos pais e o filme embrulhou bem essa mensagem sob uma embalagem de “doce vingança”.

Curiosidades


  • O filme é uma adaptação de uma Light Novel de seis capítulos de Minato Kanae.
  • O diretor Tetsuya Nakashima desenvolveou a personagem Takako Matsu especialamente para a atriz Yuko Moriguchi e chegou a declarar que não faria o filme, caso ela não estivesse presente. Que moral ein? Mas ele sabia o que tava fazendo, pois a atriz brilhou no papel central de uma mãe que perdeu sua filha numa morte trágica e besta.
  • Kokuhaku foi selecionado no Japão para concorrer como Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2011 mas não conseguiu entrar na indicação final e ganhou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Melhor Editor no 34º Japan Academy Prize.
Vai correndo assistir!!!


Sério. Você pode não curtir filmes e doramas japoneses por diversos motivos, mas há alguns que acabam se destacando dos demais e se tornam quase que "obrigatório". Não entrei muito nos detalhes que envolve o enredo e personagens propositalmente, pois o filme é melhor apreciado com o fator "surprersa" ao lado.A montagem e fotogria são incriveis, assim como efeitos especiais que cumprem bem o seu papel e todos os atores japoneses, que não deixaram a desejar em nenhum momento. O uso de cenas em slow motion contribuiu bastante para dar um ar mais sombrio em algumas cenas. A trilha sonora é bem presente durante todo o filme, assim como os temas instrumentais que ficaram perfeitos no contexto da narrativa. Destaque para "Last Flowers" do Radiohead presente numa montagem maravilhosa, que compõe a segunda parte do filme, logo após os 30 minutos iniciais com o termino da confissão da professora Takako Matsu. Sim, o filme funciona quase que em arcos, com cada personagem envolvido no drama da professora se confessando perante o público em uma bela execução.




Kokuhaku termina num clímax que só consigo definir como orgástica, que faz todo um sentido se pensarmos em como o filme provocou e se insinuou para seu público até os minutos finais. Fui assistir esperando um apenas um filme sobre vingança e me deparei com um belissimo drama. Mais que recomendado.



Elenco: 
Takako Matsu - Yuko Moriguchi
Masaki Okada - Yoshiteru Terada
Yoshino Kimura - Naoki's mother
Yukito Nishii - Shuya Watanabe
Kaoru Fujiwara - Naoki Shimomura
Ai Hashimoto - Mizuki Kitahara

Direção: Tetsuya Nakashima
Roteiro: Tetsuya Nakashima/Kanae Minato
Lançamento: 2010
Duração: 106 minutes

11 comentários :

julio pq disse...

eu vi vc falando sobre ele no twitter e logo fui atrás tbm ehehe. Muito maneiro e realmente fiquei abobalhado com a atuação dos japoneses.

Agora, juntando o clube do bolinha aqui no canto, que gaaaaaaata aquela atriz que faz a garota suicida, muito linda.

Nizuma-kun disse...

Eu amo esse site, sempre tem umas dicas muito bacanas e adoro ler os posts que vocês publicam. Esse filme parece ser bom, vou dar uma procurada no google. Vai continuar falando sobre live actions? Dou total apoio, nem só de anime e mangá vive o otaku (:

Ta-chan disse...

Eu assisti esse filme umas duas vezes no ano passado. Achei uma injustiça ele não ter sido selecionado entre os 5 finalistas que concorreriam a melhor filme extrangeiro. Toda a produção dele está impecavél, pena que algo assim nunca sairá no Brasil nem em DVD.

Yandere_Diva disse...

Leitora antiga se manifestando pela primeira vez o/
Sou APAIXONADA por esse filme.Já vi 4 vezes e obriguei todos os meus amigos a verem.Todos adoraram também.
Chorei durante metade do filme, mal respirava no final. T-T
O jeito que as peças do quebra cabeças se juntam é perfeito.Foi um final épico e o mais triste ever.
Virei fã do Yukito Nishii, o ator que faz o Shuya!Ele é super fofo e fez o Ciel no musical do Kuroshitsuji. *o*
O Shuya é meu personagem preferido e todas as vezes que vejo bolhas de sabão, lembro dele. :-:

"Você consegue ouvir? O som de algo importante desaparecendo"

Ofecher disse...

Nossa como sempre seus textos estão excelentes, bem informativos também, me acrescentou muito saber - pois na época eu nem tinha ido atrás de informações a respeito do filme - e ele é realmente instigante, foi um dos melhores filmes que já assisti

Nizuma-kun disse...

Eu amo esse site, sempre tem umas dicas muito bacanas e adoro ler os posts que vocês publicam. Esse filme parece ser bom, vou dar uma procurada no google. Vai continuar falando sobre live actions? Dou total apoio, nem só de anime e mangá vive o otaku (:

Ta-chan disse...

Eu assisti esse filme umas duas vezes no ano passado. Achei uma injustiça ele não ter sido selecionado entre os 5 finalistas que concorreriam a melhor filme extrangeiro. Toda a produção dele está impecavél, pena que algo assim nunca sairá no Brasil nem em DVD.

O Mundo escuro de Morringhan disse...

Unhh A única coisa totalmente com atores japoneses que assisti foi o dorama "Hana Yori Dango" mas vou assistir esse filme aí \o. Curto muito estórias que surgem a partir da união de vários fragmentos...e acho muito interessante a "teoria do caos", "efeito borboleta", enfim. Estava mesmo querendo um filme interessante para ver ^_^.

Anônimo disse...

Queria saber se tem o light novel traduzido para o português.

Roberta Caroline disse...

@Anônimo:
Até onde eu sei, não.

Wolf disse...

Não encontro esse filme =/
Quando é algum lixo americano é fácil encontrar.

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