quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Série Junji Ito: Mimi no Kaidan e os contos sobrenaturais



Mimi no Kaidan não é a melhor obra do mestre Junji Ito, mas é um excelente cartão de visitas para aqueles que nunca leram nada do autor ou para aqueles que preferem um horror mais leve e sem muita pressão. Apesar de ser considerado um mangá fraco para os padrões Junji Ito, as histórias são bem gostosas e não por acaso, ao ler cada conto você tem a sensação de estar ouvindo uma daquelas histórias assombrosas, numa roda de amigos. Não por acaso, porque Mimi no Kaidan é mais uma compilação de vários contos e dessa vez, a história nasceu entre uma colaboração entre Junji Ito e o pesquisador de ocultismo Ichiro Nakayama e Hirokatsu Kihara, adaptando algumas histórias do livro deles, Shin Mimibukuro, uma coletânea de histórias fantasmagóricas que ganhou adaptação até para o cinema – e o fato de ser considerado abaixo da média, vem do fato de não ser uma obra original de Ito.


Se você der uma olhada aqui, neste link, e se for parecido comigo, vai sentir uma vontade absurda de querer assistir esses contos. Mas falando exclusivamente da versão mangá, no final do último capitulo de Mimi no Kaidan tem um extra bem legal, com Junji Ito em versão mangá, explicando como foi o processo de criação, as liberdades que ele fez questão de ter na hora de adaptar as histórias: “(...) assim várias liberdades foram tomadas em relação a obra original.” – e ele dialoga com a personagem Mimi, ainda na banda desenhada e é interessante ver o próprio Junji Ito falando sobre o seu excesso de zelo e a forma como ele se deixou levar pelas histórias. Fora alguns comentários sobre um conto ou outro inserido no mangá e os mistérios “não resolvidos”.


Aliás, para quem lê Junji Ito a mais tempo ou teve a oportunidade de ler ao menos duas histórias dele, percebe facilmente em como ele deixa propositalmente muitas em aberto – o que é algo bem caraterístico até mesmo no gênero do terror e os contos fantasmagóricos, que são a fonte onde Junji Ito mais bebe. Particularmente acho que faz parte do “manter o encanto”, pois é o desconhecido que assombra mais, de não sabermos com o que estamos lidando. Fora que se você “viaja” um pouco mais é exatamente assim que acontece na vida real. Eu mesma tenho conto curioso pra contar, ele tem inicio, mas não tem fim e aconteceu comigo e alguns amigos em uma noite de lua cheia.

Estávamos todos no parque, na parte onde fica localizada as quadras esportivas e era perto de meia noite, lua cheia e vimos um casal de velhinhos que apareceram do nada, atravessando em meio a quadra de futebol/basquete. Saímos apavorados, largando tudo pra trás por puro ímpeto. Depois de certa distância, recobramos a racionalidade e voltamos pra lá, afinal, estávamos distraídos conversando e talvez nem tínhamos visto os velhinhos se aproximando lentamente. Mas o fato é que quando chegamos lá, estava tudo vazio e deserto. Detalhe: é um campo de recreação enorme, levam-se no mínimo, dez minutos pra atravessar todas as quadras – logicamente eu não levo isso a sério, mas na época foi fascinante e ficamos com aquilo na mente por um bom tempo.


Voltando a Mimi no Kaidan, outro detalhe que chama a atenção é a protagonista Mimi, que é exatamente igual a varias outras heroínas de Junji Ito, em character designer e personalidade. E isso é bem caraterístico, as modelos de Junji Ito são basicamente o perfil de personagens como a Tomie (da série Tomie) e Kaori (do apocalíptico Bio-Horror Gyo!). Mas ao ler Mimi no Kaidan eu me lembrei mesmo foi de Uzumaki, celebre mangá de Junji Ito, tido para muitos como a sua obra prima. Impossível não olhar para os personagens deste mangá e não nos lembrarmos dos de Uzumaki, isso se você tiver lido. E a Mimi é tão simpática e carismática quanto a protagonista Kirie Goshima. Mas bem, aqui a arte está bem mais limpa do que em Uzumaki, fora que é bem menos sombria e “assustadora”. Pediram ao Junji Ito que para essa série, fizesse uma protagonista feminina e assim nasceu a Mimi. O character designer dela está magnifico, não só dela como de todos os personagens e a ambientação.


Mimi no Kaidan contém uma série de contos, com a Mimi protagonizando todos. A primeira história, “A mulher da porta ao lado” (The Woman Next Door), baseado no conto “Quartos do segundo andar”, ao qual ele parece ter gostado bastante. É uma das mais intrigantes e traz Mimi às voltas com uma estranha e misteriosa vizinha. O desfecho é surreal. Mas as que eu mais curti foram: “O Litoral” (The Seashore), uma história que novamente meche com o desconhecido e por isso me fascinou tanto, com um desfecho bem curioso. “Sozinha com você” (Just the Two of Us) é sem dúvidas a mais assustadora, por lidar com... não vou falar pra você não perder o fator surpresa, já que a história trabalha muito em cima do mistério. E você que se considera fraco pra histórias do gênero, Mimi no Kaidan é a melhor pedida. São apenas seis capítulos e não te fará perder o sono. 


Lançamento: 2002
Status: Completo
Volumes: 01
Autor: Itou Junji
Gênero: Drama, Horror, Sobrenatural
Demografia: Seinen
Revista: Comic Flapper (editora Media Factory)

15 comentários :

junior disse...

roberta você esqueceu de colocar o Josei ao lado do seinen

Mimi no kaidan e um manga de horror que faz falta na lista de animações de japonesas horror,afinal a maioria das animações de horror nipônicas são pessoas poderosas que se envolvem com o sobrenatural por que querem cumprir uma missão,um objetivo,uma vingança a exemplo: Claymore,Hellsing;etc isso não deixa elas piores, só tira o ar assustador que elas teriam se no lugar de super poderosos casando de vingança, fossem pessoas comum que se envolve com o sobrenatural por que viajam para um lugar maldito(a exemplo a canadense City of Root) ou quando uma terríveis acidente,ou experiencia libera criaturas sobrenaturais para cima delas(exemplo dead space aqueda, e o futuro GYO)
e logico o clássico gênero japonês sobre pessoas envoltas de maldições por acaso(estilo Kazou Umezo e o Frances Fear s Of The Dark)

junior disse...

Go Nagai e Junji Itou já foram lembrados aqui o felicidade

Rei Ayanami disse...

Que coisa boa ver vc falando do mestre Ito por aqui. Tomara que se torne mais frequente. Engraçado que de todos os mangás dele, esse é o que menos gosto. Mas concordo que seria bom ve-lo adaptado para anime, acho que funcionaria muito bem.

Kyohei disse...

Uma aterrorizante história sem estupros não? Li todo o devilman e devil lady, estou traumatizo pelos estupros... Outro que já conheço, e por sinal é bom, nada mais que isso.

Carlírio Neto disse...

Saudações

Roberta, um dia eu irei ver um destas obras que tanto recomendas em seu blog...
Esta, em especial, me atraiu por algo diferente...

Até mais!

Roberta Caroline disse...

@Junior
-É seinen mesmo, saiu em revista pra garotos jovens/adultos.

@Rei Ayanami
-Vais gostar do post de semana que vem então hehe =)

@Kyouhei
-Aonde tu achou o mangá de Devil Lady pra ler? Me diz ai que estou a fim de ver. Sobre os estupros, Deus sabe como tenho pavor, mas em alguns casos, é um peça da história e sua utilização se faz importante. Inclusive, preciso escrever sobre esse assunto.

@Carlírio
-Ta ai uma ótima série pra você começar :D Mimi no Kaidan é bem tranquilinho. Alias, recomendo qualquer obra do Junji Ito. Não há apelação alguma em suas obras.

Sakura disse...

Ainda estou tentando me recuperar do que foi Uzumaki :)

ainda tenho aquelas cenas do mangá gravadas na cabeça hahahahaha

Essa página ai cima com a caveira em cima da menininha? kkkkkkkkk vou dar uma olhada depois

Megumi Poison Vampire disse...

Err Roberta,como não faz perder o sono,só aquela imagem da caveira ao lado da menina,ja me gelou,vou dormir pensando nisso D: qqq

Ricardo Eveton disse...

Segui a recomendação, li rapidamente e voltei pra aprovar. Não me decepcionou. Já tinha ouvido falar de Mimi desde que os scans brasileiros começaram a fazer o mangá, mas não tinha me interessado muito na época. Contudo, é realmente uma pena que nenhuma editora do pais esteja realmente interessada em lançar bons mangás de terror. Será que não teria bons retornos?

Moranguinha disse...

Junior, ainda faltam muitos como Kazuo Umezu. Também comigo já aconteceram coisas inexplicaveis que eu me arrepio so de lembrar. Já morreu uma senhora na minha casa, na mesma semana da morte dela, lembro que por 7 dias, aconteceram coisas muito estranhas, como a luz do banheiro acender todas as noites, a torneira da pia ficar abrindo no meio da noite, chuveiro funcionando sozinha. Foi sinistro. Eu acredito nessas coisas

junior disse...

Devilman pelo que me lenbro so tem uma estupro ao contrario(uma mulher pavorosa obriga um cara a fazer sexo com ele)


eu sei como o estupro e um crime terrível e inperdoavel mas eu não entendo e por que eles são tratados piores do que mortes em filmes/animes/seriados/livros/animações de horror a gente vê uma criança enfiar a faca na própria cabeça ate a morte e ate da rizadas mas se ver uma mulher ser estuprada as mesmas pessoas que deram risadas da cena citada a cima ficam chocadas

junior disse...

a roberta se voce realmente não gosta de estupros veja os filmes do gênero Rape/Revenge
eles são descritos em 3 atos
Ato I: Uma mulher é estuprada / estuprada , torturada , e deixado para morrer.
Ato II: A mulher sobrevive e reabilita -se.
Ato III: A mulher toma a vingança e mata seu estuprador ou estupradores
exemplos:Thelma & Louise,a vingança de jenifer,extremidades,e o recente a irreversivel

Sarah disse...

O motivo de eu gostar tanto de Mimi no Kaidan é exatamente por serem várias histórias protagonizadas pela mesma moça. O tempo todo eu pensava "como ela ainda pode estar tão calma em relação a isso?!" E era pior com o namorado, que se mantinha cético a todo custo, hahaha.
Minha história favorita também é The Woman Next Door, tem um apelo diferente.

Kyohei disse...

Não junior, se não me engano, tem uma ou mais cenas em que alguns monstros estupram uma mulher...

junior disse...

a ni devillady sim mas estrupos monstruosos são sem sentidos era para matar as mulheres e elas saem vivinhas

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